quarta-feira, 1 de junho de 2011
Provável
São signos ditos em frente ao espelho, mais velhos, mais jovens, comemorando os mesmos aniversários as mesmas conquistas e derrotas.
Seriam inacabados e finalizados com o jeito rude, desajeitado, mas tão distante que a inconsciência não consegue tocar.
Passando na mesma rua, olhando os mesmos objetos, pensando na mesma pergunta, ouvindo a mesma música, pensando no amanhã.
Os livros eram lidos a cada semana, os dias parecendo serem sempre iguais, na maneira de agir era como observar os mesmos rostos emprestados e sempre achar serem diferente do único castigo que me traz no mesmo lugar.
Curioso eram os mistérios soltos por entre os instintos, por entre os olhos, por entre vontades e supostas verdades, que esta mente insana criou no encontro de cada perdição.
Foi essa teimosia, essa aproximação dos sentidos desconhecidos, onde somente admirados a distância por sua vez, leva os pés aos corredores, para no final despedir-se de instantes curtos.
E lembrar mais uma vez, dos momentos de satisfação carregados entre a sabedoria.
Priscila Aita
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Simples liberdade que vai caminhando a uma só direção, onde passa os trens da madrugada, trilhando as palavras devagar na ponta dos lábios úmidos, e das bocas desordenadas.
Não fora mais os segundos, agora a pendula parou, e o vento soprou ao pé do ouvido.
O que diria era pouco, enrolando algumas línguas de vous per me em dito tom.
E esse declínio musical, virado nos pensamentos, como virasse do avesso em diversas formas me revirou e inventou.
Priscila Aita
sábado, 6 de novembro de 2010
O dicionário indiscreto.
São rabiscadas, desenhadas e seduzidas pelos incertos em certos cantos por aí.
Reveladas e coladas uma a uma, em cada dia menos nebuloso e mais tolerável menos tangível e admirado, do que sobra dessa figura desajeitada, mais colorida ao invés do preto, do que parecia ser.
São rabiscos deitados nas folhas e fracionados, contornados por mãos, e deslizadas com pincéis.
São ditos e cantados, lidos e rejeitados, amassados e assoprados para fora da perversão.
Recortadas em segredos e dobradas com falhas, dimensionadas aos desconhecidos e perverso aos amantes.
São intensas e desordenadas, tem escritos e parábolas, letras de forma e pingos de tinta que mancham lembranças.
São expressivas nas palavras, algumas com títulos outras com linhas, ordenadas pela caligrafia.
Priscila Aita
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Subsequente no mesmo nome
E essa tal pontualidade dos ponteiros, somente. Que de mais não vem na hora certa marcada e cruzada na mesma página virada.
São os cheiros do passado, revirado nos casacos ainda guardados e cheios de pó.
E quem diria aquelas mãos fria desenhando com um só pincel todos os tons dessa novela inventada.
Cara limpa, lavada, dourada fechou mais um dia sorrindo.
Palhetas e cigarros, mas não fumo, guardo como recordação o aroma que não me atrai e distrai sempre onde a noite encontra o paradeiro mas não toco, porém essa tua música sempre me agrada e me leva, reinventa.
São estas vogais, que não coincidem comigo, de que adiantou tantos elementos e o nome é o mesmo debaixo dos lençóis.
Que concordância em palavras, lembra o dicionário com o mesmo nome, e seus mesmos significados, reles: Ordinário; desprezível.
Eloquente, conseqüente me deu suas mãos mas tive seus pés correndo de mim.
quarta-feira, 30 de junho de 2010

Essas fotografias interrompidas, lavadas de lágrimas cruas.
Sem sentido algum guardado dentro de um livro de romance, que nem ao menos tivera páginas.
E se esperar do lado de fora, pode ser que nem ao menos sua sombra passe por aqui, ou me leve para longe dessa cidade.
Sem compreender o que parecia mais óbvio do que uma simples mentira era o aflorar de uma fúria tão escondida quanto aqueles segredos que nem ao menos saberá que existiram nas noites em que só permaneceu, sem estar só.
E do vinho derramado no lençol branco, de quando seus desejos corriam em mim.
Quanta malícia sem ao menos me tocar do jeito que sempre comentava que faria e que dizia mais de uma vez o quanto isso tinha uma enorme importância pois se tivesse ao meu lado falaria tão alto que se ousar a gritar saberia que sairia correndo do desprezo que contigo carregara.
Quer apenas satisfazer alguns instantes e me dizer que nada mais do que uma fúria dos seus desejos iria além de lençóis e paredes, e que não carregaria nenhum sentido.
Isso pode despertar, sábia disso meu caro?
Não sabes que somente se da valor a o que não se tem por completo, e quando isso ferve. Desperta os sentidos de quando não passava de um simples momento, começa a ver que aquelas paredes ficam sem saída sem portas e janelas e que quando ferve, vem o medo e aquele desejo de somente um dia cresce tanto quando os demais que o cercam.
Se começar a contar o que não queria ouvir, certamente ousou falar mais do que pensara em dizer.
Quer carregar apenas as delicias da noite, mas vai carregar as delicias nos teus pensamentos sempre que caminhar sozinho. Talvez seja esse o momento se estar sem saída.
Pode pensar em se entregar, mas o orgulho de dizer que não é mal resolvido se nem ao menos sabe o significado de resolver, será tão difícil quando começar a sentir falta desse corpo que te acalentou.
Priscila Aita
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Exposição
Degraus absolutos atrás de uma parede vermelha e abstrata, com moldura quadrada, dourada, arredondada diante dos pés.
Chamaria de sala da reconstituição ao pé do ouvido dizia reconciliação. Entrara no museu só para ver a exposição que ele levou anos para expor e se expor na memória de quem não o entendia. Contemporâneo, erudito e bizarro, emoldurado e frágil, todos os rostos incompreendidos e surpreendidos pelas cores e formas que reluziam conforme as luzes da sala.
As janelas que lá estavam e nem ao menos existiam, e as moças enquadradas de tantos azuis, em longos vestidos rodado.
Piano com cordas, e teclas de marshmallow e bem no fundo se escutava aquele doce som.
Memória e memórias, tantos escritos e frases nessas paredes pintadas e as cartolinas rosadas espalhadas pelo chão em diversos cantos, no contexto dizia, que se as rosas fossem de papeis escreveria todas as frases e melodias que te escrevi num guardanapo de restaurante.
Dizia que era francês, mas o sotaque escondia as belas madeixas de um italiano bonitão, bem resolvido, mas mal intencionado em suas amostras.
Dizia que se o observasse teria longas noites salientes nas noites chuvosas de inverno e iria gritar tão alto que atravessaria paredes.
Queria ouvir jazz, pedir um cigarro, perguntar meu nome e caminhar em frente ao terraço.
Quem sabe se eu fosse dançar ou rodopiar você talvez me observe mais do que esses quadros espontâneos nessa parede branca, com esse piano doce e essas pétalas rosadas pelo chão, quem sabe você acenderia meu cigarro e me diria mais uma daquelas frases de restaurante, após beber um Cabernet e observar o garçom.
Quem sabe você me joga daquela janela imaginária ou me arrasta para o seu quarto pequeno de apartamento e me conta o que achou das cores, das noites e dos dias azulados.
Quem sabe você me compreende pelas mãos e interpreta a minha memória.
Priscila Aita
sábado, 3 de outubro de 2009
Desmanche

O descuido desvalorizou o tempo que perdido, entre as frestas escapou como um sopro limitando o que poderia ir além, mas além encontra-se diversos sabores em uma só tonalidade. Causou importância dentro dos pares de fendas, abertos a boas observações que olhos atentos ditam a compreensão, o que palavras tiraram a emoção.
Cercou instantes de desordem ao qual causou desprezo, do que contradiz aos pontos fracos, correu para o lado errado, ou não deu um passo à diante.
As certezas não contradizem o que poderiam vir além da imaginação, onde voam para o mesmo lado quando se prendem em caminhar aos significados que o curto momento construiu.
Questionamento tenho todos.
Priscila Aita
